Somos Gotas

“Somos Gotas”, um projeto incrível realizado pela escola estadual Pedro Vicente da Rosa, coordenado pela professora de língua portuguesa da mesma instituição (a direita na foto) onde a mesma construiu um livro de poesias com seus alunos que tinha como objetivo promover a literatura na área escolar e familiar no processo de ensino-aprendizagem e desenvolvimento sociocultural. Foram sete meses até a finalização deste trabalho que teve sua culminância no dia 9 de setembro.

Através de uma palestra tive o prazer de participar deste projeto e conhecer os alunos e professores que nela atuam, auxiliando também na criação da capa do livro (confeccionada por duas alunas do 9° ano da escola).

Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor” – Madre Tereza de Calcutá.

A Púrpura Taça de Histórias

Bento Gonçalves, lugar em que o vinho jorra vida. Entre morros e videiras, situada no alto da Serra Gaúcha, a qual recebe o título de “Capital Brasileira do Vinho”. Município de natureza exuberante e rica em histórias, onde, desde muito jovens, aprendemos a importância, a tradição e os segredos da descendência italiana, pessoas fortes e guerreiras que migraram para um lugar onde não tinham certeza do que iriam encontrar e, mesmo assim, superaram suas dificuldades, ensinando a garra de conquistar o nosso espaço, sempre tendo amor pela nossa terra, trazendo consigo uma das coisas mais significativas da história do local, o vinho. “A púrpura taça de histórias” é um documentário poético de curta metragem que trata da história do vinho bento-gonçalvense trazido pelos italianos durante sua imigração para o município (que na época era uma colônia), ganhando apreciadores, tornando-se uma das principais economias do local, dando a cidade um reconhecimento como “Capital Brasileira do Vinho”. Um lugar rico em histórias que merecem serem contadas.

Neste documentário, dentre tantas vivências da comunidade, duas pessoas (de diferentes idades) trouxeram histórias marcantes sobre o vinho do município. A Sra. Elaine Michelon (50 anos), filha de Moysés Luiz Michelon (infelizmente já falecido) que foi responsável pela execução da primeira FENAVINHO, uma festa de suma importância para a comunidade local, onde relembra a imigração italiana em torno de uma das principais produções do município, o vinho. Atualmente ela é a proprietária do hotel Villa Michelon situado no Vale dos Vinhedos. Além do Sr. Vitalino Nichetti (78 anos) que contribuiu para viabilizar o vinho encanado no centro da cidade em algumas edições (uma das principais atrações na véspera da festa), sócio da empresa Aurora e, atualmente, conselheiro da Fundação Educacional da Região dos Vinhedos (FERVI).

O documentário se inicia, em 1875, com a imigração italiana para a cidade, onde, em apenas um ano, o município já tinha uma população de 790 pessoas, em que 729 eram italianos. Em 1967 a cidade passou pela sua maior transformação, com o auxílio da comunidade, onde surge a primeira festa nacional do vinho (a primeira FENAVINHO) e foi a partir daí, que não só o vinho, mas o município como um todo ganha visibilidade no país inteiro.

Bento Gonçalves, uma cidade com 115.000 habitantes (IBGE, 2017) situada no alto da Serra Gaúcha. Desde o Vale dos Vinhedos (principal destino enoturístico do Brasil) ao centro da cidade, em cada lugar onde o vinho deixou sua marca foi registrado, dando destaque para Bento Gonçalves como um todo.

Nele a equipe procurou mostrar cada pessoa, cada lugar e cada história de forma poética, revelando a todos os segredos e relíquias da nossa região. Apenas com uma câmera foi gravado as belezas bento-gonçalvenses de forma com que conseguíssemos apresentar toda a abundância que o município tem em beleza e elegância. Com entrevistas, as histórias surgiram, contando o passado e as tradições que se estendem até hoje e que fazem parte de cada cidadão. A equipe procurou fazer tudo voltado ao que está por trás de Bento Gonçalves, das paisagens, dos moradores, do vinho, tudo de modo singelo e verdadeiro com um pouco de poesia e muito amor.

O objetivo principal é resgatar vivências, não apenas transpassar conhecimento sobre o município, mas sim, não deixar que nossas histórias se percam com o tempo. Mostrar a garra dos imigrantes ao chegar à cidade que, mesmo com tantas dificuldades, nos trouxeram inúmeras relíquias. Um lugar que além de ter uma beleza exuberante há experiências, sensações, o amor do cidadão pela terra e, principalmente, a importância do vinho para a cidade, que ficou conhecida nacionalmente como “a cidade onde o vinho jorra de graça na rua central”.

Para assistir o documentário:

Obras e Histórias

Hoje, gostaria de contar a história de determinada obra. “Chapeleiro Maluco” (como a mesma se chama), esta obra foi produzida em 2017, uma criação onde sempre comento que desenhei “com a alma”. Em um fim de tarde, sentei-me em frente aos meus materiais de desenhos e estava com o intuito de criar algo, mas não sabia o que. Até que em determinado momento, destaquei uma folha de meu bloco e comecei a desenhar, quando o finalizei comecei analisa-lo e não conseguia lembrar de ter feito um risco se quer (segundo minha mãe que foi observar o que eu estava fazendo, fiquei em torno de 3 horas em cima do desenho), foi como se a minha paixão pela arte, me levou a criar algo único. Esta obra recebeu o nome de “Chapeleiro Maluco” pelo fato de observando, o formato de como as joias se dispuseram na folha e sua cor no desenho remeteu-me ao filme “Alice no País das Maravilhas”, lembrando em especifico do Chapeleiro Maluco, um personagem retratado no filme como louco. Foi uma sensação de como se a minha mente estivesse com um insaciável desejo de mudanças. Os galhos emaranhados na arte na realidade retrataram chifres de “Wendigo” (um personagem de uma lenda que surgiu em tribos indígenas norte-americanas e foi passando de geração em geração, ela tem varias versões sobre o surgimento da criatura era um ser grotesco, alto, com dois grandes chifres, que cometia atos canibais, e foi por conta disso que o mesmo se transformou neste monstro), onde, seus chifres lembram a mudança, a transformação de um ser em outro pelas dificuldades passadas. A cor azul, além do filme, me remeteu ao céu, a cor que, em contrapartida, simboliza a criatividade e a calmaria.

Esta obra representa muito meu trabalho pelo fato da minha busca constante de não desenhar apenas com as mãos, mas com a alma, remeter histórias vividas por trás de um mero traço, buscando constantemente mostrar minha evolução não só como artista, mas como pessoa em relação aos sentimentos.

Metamorfose

“Metamorfose”, uma palavra um tanto “vaga” para alguns e complexa ou importante para tantos outros, no dicionário, metamorfose significa: “mudança, é a transformação de um ser em outro. De uma forma em outra. No sentido figurado metamorfose é a mudança considerável que ocorre no caráter, no estado ou na aparência de uma pessoa. É a transmutação física ou moral”.

Temos que confessar que é uma palavra com um significado muito profundo, mas quando falamos sobre, não passa de uma vaga palavra que saíra de nossas bocas… Assim como borboletas, evoluímos, nos acham estranhos, sem perfil, alguém que não passa de apenas mais um figurante na história da vida, tomamos rasteiras, sofremos, levantamos a cabeça, mas não motivados por vingança, mas sim, por estarmos agradecidos, que aquilo nos ensinou a evoluir, assim como as borboletas.

Meu mais novo trabalho (exposição) “Metamorfose” busca te fazer ver, não apenas com os olhos, que o passado, muitas vezes, não precisa ser esquecido por total afinal, ele foi à peça chave do seu amadurecimento, foi à peça chave para você se tornar o que é hoje, são com aqueles nossos pequenos sofrimentos e dificuldades diárias que nos fazem querer e realizar inúmeras mudanças em nossas vidas. Uma exposição que busca nos mostrar e te fazer relembrar de outras facetas de uma mesma história (da sua história) aquela evolução que, parece ser em um “piscar de olhos”, o que sabemos que nunca foi ou será, mas e agora: “como foi a sua evolução?”.

Boas vindas!

A arte ilumina, não só pela questão de desenhar um sol perfeito, cada traço riscado naquela mera folha de papel, há vida, há a sua vida, são chuvas de inspirações e momentos diários que nos faz representar o que realmente sentimos, mas as vezes, por falta de oportunidades ou até mesmo coragem não dizemos. A arte provoca milhões de borboletas em nosso estomago, ela nos une, nos faz interagir uns com os outros, é ela que desvenda inúmeros mistérios na nossa mente, é ela quem nos faz (muitas vezes) entender os outros.

Apenas ela desenvolve certas áreas do conhecimento, que precisa ser desenvolvido enquanto crianças, ela não é apenas uma atividade de lazer e recreação nas escolas (como era considerada antigamente), muito pelo contrário, é ela que nos ensina a lidar com a criança, a sua criatividade que, as vezes parece ir além, pode apenas estar nos mostrando ela por inteiro.

Imagine, se ela consegue mexer tanto com um ponto da alma de um adulto, imagine de uma criança? A arte nos torna o que nós sempre gostaríamos de ser, é respirar cores em meio a um século tão poluído.

Julia Pasquali